Empresas de IA Destróem Milhares de Livros ao Redor do Mundo
Investigação jornalística revela que empresas de inteligência artificial estão comprando e destruindo livros para treinar seus modelos de linguagem.

A livraria Fénix, localizada na cidade catalã de Badalona, na Espanha, é uma referência no comércio de livros antigos. Marçal Font, livreiro de livros usados há 20 anos, recebeu uma encomenda estranha em abril de 2025. A encomenda vinha de uma empresa localizada no Canadá e pedia uma grande quantidade de livros em catalão. Font decidiu investigar, pois os pedidos eram feitos em uma janela de tempo muito curta e os custos de envio eram absurdos.
Font consultou seu amigo Xavier Vinaixa, pesquisador de inteligência artificial e diretor técnico da empresa de tecnologia Sorensen.ai. Vinaixa também estava recebendo pedidos estranhos e decidiu seguir a pista. Juntos, eles encontraram outras pessoas que estavam recebendo pedidos semelhantes em diferentes partes do mundo.
A investigação revelou que as empresas de IA estavam comprando livros para treinar seus modelos de linguagem. O objetivo era digitalizar todos os livros do mundo e fornecer o texto já digitalizado às empresas de IA. No entanto, o processo de digitalização era destrutivo, pois envolvia cortar a lombada dos livros e introduzir as páginas em escâneres industriais de alta velocidade.
O procedimento destrutivo era mais rápido e barato do que o método não destrutivo, que utilizava escâneres planos ou dispositivos em forma de V para digitalizar as páginas sem desmontar a encadernação. As empresas escolhiam o método destrutivo por uma questão de escala, pois permitia digitalizar milhões de exemplares com mais rapidez e a um custo menor.
A IA precisa constantemente de novas informações para ser treinada. Os grandes modelos de linguagem, como o ChatGPT, são programas de IA que aprendem a compreender, resumir, traduzir e gerar texto ou outros conteúdos prevendo a palavra ou o trecho seguinte. Para treinar esses modelos, as empresas de IA inicialmente "alimentaram" com toda a informação disponível na internet, como Wikipédia, blogs e fóruns. Quando isso começou a se esgotar, passaram a ser treinados com matérias de jornais e até com legendas de vídeos do YouTube.
Agora, as empresas de IA estão procurando livros estranhos que não são comerciais em livrarias de livros usados e antiquários. A destruição dos livros digitalizados para treinar a IA tem gerado questionamentos e dúvidas em diversos círculos. Alguns argumentam que se deveria distinguir se se trata de exemplares de grandes tiragens ou de tiragens limitadas. Outros se preocupam com o risco de que as compras indiscriminadas destruam exemplares raros ou esgotados sem verificar antes quantos desses exemplares ainda restam nos estoques de distribuidoras e livrarias.
Aqui estão alguns relatos de livreiros que receberam pedidos estranhos:
| Livreiro | Localização | Pedidos | | --- | --- | --- | | Marçal Font | Badalona, Espanha | Livros em catalão | | Pieter de Vries | Haarlem, Holanda | Centenas de livros | | Delfina Manor | Victoria, Austrália | Pagamento antecipado e não questionamento dos custos de envio |
Aqui estão algumas informações sobre o Projeto Panamá:
| Informação | Detalhe | | --- | --- | | Data | Setembro de 2025 | | Valor | US$ 1,5 bilhão (R$ 7,2 bi) | | Objetivo | Digitalizar todas as obras escritas pela humanidade |
Aqui estão algumas informações sobre os grandes modelos de linguagem:
| Informação | Detalhe | | --- | --- | | Tipo | Programas de IA que aprendem a compreender, resumir, traduzir e gerar texto ou outros conteúdos | | Exemplo | ChatGPT | | Treinamento | Inicialmente "alimentado" com toda a informação disponível na internet, como Wikipédia, blogs e fóruns |
A destruição dos livros digitalizados para treinar a IA é um tema complexo e controverso. Enquanto algumas pessoas argumentam que a preservação dos livros é importante, outras se preocupam com o risco de que as compras indiscriminadas destruam exemplares raros ou esgotados sem verificar antes quantos desses exemplares ainda restam nos estoques de distribuidoras e livrarias.





